Aquelarre



“Preciso de mais desabafar”, gritar, cantar

pela dor mas também por prazer,

viver o choro e a raiva e também gozar

e salve a mãe e o seu amor incondicional

e pobre da filha que não seja perfeita e educada,

que não siga o padrão da telenovela latinoamericana!

Salve as avós e a sua sabedoria abençoada.


Dizem que somos indias ou bruxas,

santas e putas


           no caminho me encontrei com elas

as guerreiras da terra, as lendárias do fundo do mar

as deusas dos céus, as avós do fogo,

como flores do deserto

ou pedras que transmutam na água dos rios,

que guardam a energia do sol e do passo do tempo

com o toque do mar, e là vai o urubu mensageiro!

o que a gente quer mesmo é “amor libertário”

mas não libertino e sim solidário!


A decir verdad somos indias o brujas

o santas o putas


        E eu quero escrever histórias,

das nossas noites de feitiçarias várias 

dos nossos mais sensíveis defeitos

e dos nossos medos e nossos afetos


Enfrentamos a adversidade com cautela

preparamos o espírito para a ação

na nossa pele é a vida que é fogo.

As avós já me aconselharam algumas vezes:

 “sim minha filha, seja você mesma

seja o que o seu coração lhe dizer, 
eu sempre vou pedir aos santos para que guiem e protejam seus passos”


A decir verdad somos indias, brujas,

santas y putas


         E acreditamos no nosso poder

doces e finas, ardentes, abertas, molhadas

como a folha que cai da arvore num dia de outono

da pele até os ossos  

Rainhas das belezas mais misteriosas e mais simples

porque acreditamos na verdade, na paixão

na circularidade da vida,

na nossa animalidade e na humanidade

na Fé, na resistência e na liberdade

no amor e no ódio profundo

no profano e no sagrado


¡A decir verdad somos indias,  brujas

También santas y putas!





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